Nasci e cresci numa família Católica e amante de Carnaval.
Minha mãe, desde pequena, fazia suas fantasias com papel cortado e costurado à máquina, formando longas saias rodadas. Máscaras com papel machê, coloridas e encantadoras.
Quando eu tinha 7 anos, meu pai resolveu abster-se de toda e qualquer bebida alcoólica, e com isso parou também de frequentar os bailes. Minha mãe ficou na saudade.
A escada à direita levava ao enorme salão do Clube
da minha infância. Hoje são apenas escritórios.
Mas ele nunca nos proibiu de frequentar os bailes infantis do domingo e da terça-feira de Carnaval.
Éramos criativos também com as fantasias. Uma que mais me marcou foi a de índio, copiada da caixa do “Forte Apache” dos meus irmãos.
Eu devia ter uns 6 anos.
Usamos sacos de estopa devidamente desfiados e pintados com guache vermelho e branco. Levamos dias para convencer nossa mãe a cortar e costurar os trajes do tecido, que por mais que lavássemos, não saía o farelo de milho.
Na minha fantasia, além da saia, um top feito no capricho como meus irmãos imaginaram, pois não havia figuras femininas no brinquedo.
Emiliana com 6 anos e fantasia de Com 9 anos minha cigana linda
havaiana com cordas. (invenção)
Do galo avermelhado, que garboso andava pelo terreiro, arrancamos todo o rabo. Precisávamos das penas para nossos pés e cabeça. Lembro e ainda acho graça, porque para o meu irmão mais novo, sobraram apenas algumas penas de uma galinha d’angola e ele, encrenqueiro desde pequeno, chorou muito. Também pudera coitado.
Quando minha mãe descobriu o seu galo depenado, levamos umas belas varadas. Mas, como eu sempre dizia: “agora já foi, não tem problema uma surrinha”.
Fizemos sucesso naquele Carnaval. A escadinha dos quatro irmãos “índios americanos”, como fomos chamados, nos deu até premiação. Balas e refrigerantes. Que alegria, quanto confete e serpentina juntávamos e jogávamos um no outro.
Quando eu ainda era solteira, os bailes noturnos eram no sábado, domingo, segunda e terça-feira. Mas, meus pais não me deixavam ir ao baile da terça. Tinha que acordar bem cedinho para a missa na Quarta-feira de Cinzas.
Muitas vezes distraída, cantarolava uma marchinha no início da Quaresma, e minha mãe logo gritava: “olha o rabo”. Segundo ela, quem pulasse Carnaval na nesta época de Penitência, criava rabo do “coisa ruim”. Na dúvida, calava-me.
E assim foram meus carnavais de infância, depois na adolescência quando comecei ir à noite, e também depois de casada e já com os filhos.
Maxmiliano aos 2 anos, meu Pierrô Aos 3 anos, meu ciganinho
Foram muitas fantasias que uma tia dos meus filhos fez e eu ajudei a bordar, tanto para mim, como para eles.
Hoje, com o fim dos bailes em clubes e a violência das ruas, prefiro a tranquilidade de casa e ver os desfiles das Escolas pela TV.
A última vez que participei de uma festa de Carnaval foi na praia. Enquanto víamos o trio elétrico passar, houve uma violenta briga perto de onde estávamos. Uma confusão tão grande, gente ferida.
Fiquei tão assustada que nunca mais quis saber de multidões, principalmente quando há bebidas.
Ficou apenas a saudade dos bons tempos que não voltam mais.
Bjs no coração!














