Minha infância, minha vida, meus amores e dores; minhas idéias e meus ideais; idéias alheias, conversação entre sorrisos e lágrimas, tudo contado de uma maneira gostosa e com uma pitada de bom humor por uma pessoa FELIZ!

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quinta-feira, 10 de março de 2011

Lembranças de Carnaval!!!




Nasci e cresci numa família Católica e amante de Carnaval.
Minha mãe, desde pequena, fazia suas fantasias com papel cortado e costurado à máquina, formando longas saias rodadas. Máscaras com papel machê, coloridas e encantadoras.
Quando eu tinha 7 anos, meu pai resolveu abster-se de toda e qualquer bebida alcoólica, e com isso parou também de frequentar os bailes. Minha mãe ficou na saudade.


A escada à direita levava ao enorme salão do Clube 
da minha infância. Hoje são apenas escritórios.


Mas ele nunca nos proibiu de frequentar os bailes infantis do domingo e da terça-feira de Carnaval.
Éramos criativos também com as fantasias. Uma que mais me marcou foi a de índio, copiada da caixa do “Forte Apache” dos meus irmãos.
Eu devia ter uns 6 anos.
Usamos sacos de estopa devidamente desfiados e pintados com guache vermelho e branco. Levamos dias para convencer nossa mãe a cortar e costurar os trajes do tecido, que por mais que lavássemos, não saía o farelo de milho.
Na minha fantasia, além da saia, um top feito no capricho como meus irmãos imaginaram, pois não havia figuras femininas no brinquedo. 

 



















Emiliana com 6 anos e fantasia de                                                                                           Com 9 anos minha cigana linda
havaiana com cordas. (invenção)

Do galo avermelhado, que garboso andava pelo terreiro, arrancamos todo o rabo. Precisávamos das penas para nossos pés e cabeça. Lembro e ainda acho graça, porque para o meu irmão mais novo, sobraram apenas algumas penas de uma galinha d’angola e ele, encrenqueiro desde pequeno, chorou muito. Também pudera coitado.
Quando minha mãe descobriu o seu galo depenado, levamos umas belas varadas. Mas, como eu sempre dizia: “agora já foi, não tem problema uma surrinha”.
Fizemos sucesso naquele Carnaval. A escadinha dos quatro irmãos “índios americanos”, como fomos chamados, nos deu até premiação. Balas e refrigerantes. Que alegria, quanto confete e serpentina juntávamos e jogávamos um no outro.
Quando eu ainda era solteira, os bailes noturnos eram no sábado, domingo, segunda e terça-feira. Mas, meus pais não me deixavam ir ao baile da terça. Tinha que acordar bem cedinho para a missa na Quarta-feira de Cinzas.
Muitas vezes distraída, cantarolava uma marchinha no início da Quaresma, e minha mãe logo gritava: “olha o rabo”. Segundo ela, quem pulasse Carnaval na nesta época de Penitência, criava rabo do “coisa ruim”. Na dúvida, calava-me.
E assim foram meus carnavais de infância, depois na adolescência quando comecei ir à noite, e também depois de casada e já com os filhos.

 



















Maxmiliano aos 2 anos, meu Pierrô                                                                                                   Aos 3 anos, meu ciganinho

Foram muitas fantasias que uma tia dos meus filhos fez e eu ajudei a bordar, tanto para mim, como para eles.
Hoje, com o fim dos bailes em clubes e a violência das ruas, prefiro a tranquilidade de casa e ver os desfiles das Escolas pela TV.
A última vez que participei de uma festa de Carnaval foi na praia. Enquanto víamos o trio elétrico passar, houve uma violenta briga perto de onde estávamos. Uma confusão tão grande, gente ferida.
Fiquei tão assustada que nunca mais quis saber de multidões, principalmente quando há bebidas.
Ficou apenas a saudade dos bons tempos que não voltam mais.



Bjs no coração!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Músicas que marcam.



(Coloquem a música para acompanhar 
ou relembrar a linda canção e letra.)


Eu desejo a todos vocês, sejam jovens, adultos ou já maduros, que nunca ouçam de pessoa alguma uma certa frase. Seja ela para você a mais linda do mundo, esteja você apaixonado ou não.
Pode ser uma pessoa que você não suporte na adolescência, que não deseje estar quando adulto, ou que lhe seja totalmente impossível na maturidade. Juro que não desejo que ninguém ouça o que já ouvi muitas vezes.
A minha primeira vez foi aos 16 anos e a música era esta:



A música e a letra são maravilhosas para marcar um grande amor. Sou apaixonada por ela e gosto muito de ouvi-la. Gosto muito mesmo!

 capa do disco na época

Mas toda vez que ouço, a primeira imagem que me vem à cabeça não é de um grande amor, uma grande paixão, um baile de adolescência ou outra coisa que valesse a pena, pelo menos para mim.
Imediatamente, lembro-me de um rapaz de cabelos longos e lisos, que estudou no mesmo colégio e freqüentava a mesma lanchonete, mas que nunca me valeu um olhar, muito menos importância.
Neste local, ficávamos antes ou depois das aulas, e havia um aparelho no qual se inseria uma ficha e escolhíamos a música.
Ele escolheu, passou na mesa que eu estava e disse ao meu ouvido:

“A cada vez que você ouvir esta música, você vai lembrar-se de mim”.

E assim acontece até hoje. Eu me lembro do seu rosto, mas nunca soube nem o seu nome.

Bjs no coração!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Mais uma peripécia da minha infância. Parte II



Para quem não leu a primeira parte, está no post anterior.

Naquele dia, meu irmão mais novo e eu resolvemos dar uma volta com os amigos vizinhos e a recomendação foi a mesma.
- Não vão à descida do hospital.
Eu devia ter uns 10 anos na época e meu irmão 8 e meio. Era verão, lembro-me muito bem, pois estava com um conjuntinho de shortinho e frente única com riscas, que minha mãe fez.
Fomos direto para lá. Eu com a bicicleta azul maior, e meu irmão com a outra, a vermelha. Minha amiga-vizinha foi com a dela e o irmão mais novo à sua garupa. Cúmplices sempre, nós quatro.
Quando cheguei ao início da rua, já fui ao embalo e pedalando muito, porque no meio dela, soltava os pés e erguia as pernas. Só quase no final era que começava a frear, geralmente dando derrapadas no pedregulho. A descida não era tão íngreme, mas muito longa.
Qual não foi a minha surpresa quando chegou a hora de começar a tentar diminuir a velocidade. Coloquei os pés nos pedais e cadê freio?
A correia havia arrebentado.

Era isso que minha mãe não havia nos explicado. Ela falava do perigo da descida, da possibilidade de levarmos um tombo, mas nunca que a correia, que no meu caso era o freio, poderia arrebentar.
A velocidade da bicicleta foi aumentando e no final havia uma curva que eu sabia que não conseguiria fazer.
Nem mato para eu me jogar tinha. Só casas.
O meu irmão e meus amigos quando me viram gritar que estava sem freio, se puseram a gritar também. Foi então que olhei para trás e me desequilibrei.
Lembro até hoje, se fechar os olhos, do meu corpo arrastando-se no macadame, de bruços. Acho que deslizei uns 5m ou mais. Afundei o pedregulho.
Não conseguia levantar e os três chorando ao meu lado.
Com a ajuda deles, sentei e vi que a frente toda do meu corpo estava coberta de macadame branco. Na hora não senti dor alguma, só uma ardência. Só não esfolei o rosto e as palmas das mãos, e nem sei como.
Logo chegou muita gente, e só me lembro de acordar deitada numa mesa de cimento e várias pessoas de branco ao meu redor.
Muito tempo depois, foi que descobri que era no necrotério do hospital que eu estava. Nosso médico veio conversar comigo e mandou as enfermeiras me limparem. Eu chorei. Já havia muito sangue misturado.
Vocês acreditam que eles me lavaram de mangueira? E ainda assim fiquei soltando pedrinhas das feridas por vários dias.
Quando minha mãe chegou ao hospital, eu estava deitada numa cama com soro, toda cheia de mercúrio cromo e nem lençol podiam colocar em mim.
Ela me olhou e disse:
- Quando você sarar, já sabe muito bem o que te espera.

Se vocês pensam que eu parei de ir lá, estão muito enganados. Foi só melhorar um pouco, principalmente a parte dos quadris, joelhos e braços, onde os ferimentos foram mais profundos, que já estava lá de novo.
Livre, com os longos cabelos ao vento. 
Feliz da vida!!!

Bjs no coração!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Mais uma peripécia da minha infância.



A infância é uma fase de sonhos e brincadeiras. Primeiro amor, descobertas e trabalho para os pais, é claro.
Já na adolescência acontece a construção do caráter, vivências únicas e amizades eternas.
Não compreendemos nossos pais, revoltamo-nos com o mundo e demoramos muito a entender tudo isso.
Quando isso acontece, olhamos para trás e notamos quanto tempo perdido em incompreensões e busca por uma coisa chamada felicidade, que se encontrava dentro de nós mesmos o tempo todo.
A cada vez que visito minha mãe e na reunião de irmãos, costumamos nos lembrar das nossas peripécias da infância e adolescência.
Risadas, ou melhor, gargalhadas e alegria reinam quando estes fatos são revividos, os detalhes e alguns segredos revelados.
Numa dessas minhas visitas, fui a “vítima” da vez. Conto-lhes o porquê.
Éramos seis em casa. Papai, mamãe e 4 filhos, com diferença de 1 ano e seis meses entre cada um. Verdadeira festa e muitas vezes confusão. Não que não fôssemos comportados e bem educados, mas criança apronta. E no meu tempo muito mais. Tanto que acho que os meus foram “anjinhos” perto do que aprontei.
Brincadeiras de carrinho de rolimã e patinete que meus irmãos mesmo faziam, bolinha de gude, futebol na rua, queimada, esconde-esconde, amarelinha, lenço-atrás, bete-ombro, passa-anel. 
Não havia distinção entre as brincadeiras de meninos e meninas. Brincávamos todos juntos.
Eu terceira e única menina em casa, não era muito de bonecas, mas gostava de brincar de casinha e montava tudo embaixo do meu pessegueiro.
Também fazíamos estilingue e com bolas feitas de barro ou sementes, tanto de mamona, como de cinamomo, fazíamos guerra.
Brincar na rua ou entrar na casa de um amigo a qualquer hora do dia, sem pedir licença, era normal. Era como entrar em nossas próprias casas.
Em casa, tínhamos duas bicicletas para os quatro, e estudávamos os dois mais velhos à tarde e meu irmão mais novo e eu, pela manhã.
Uma das bicicletas era Caloi, vermelha e feminina, como meus irmãos falavam. A outra era azul, “a masculina” e freio no pedal, isto quer dizer, na correia. Essa foi comprada nova e sempre foi a preferida de todos por ser grande e pegar maior velocidade. Era de um azul clarinho, cor que nunca me saiu da lembrança.
Talvez porque a bicicleta representasse para mim liberdade, eu a preferia. O vento batendo no meu rosto... esvoaçando meus cabelos. Nem "Master Card" compra.
Da outra, conto outro dia.
Minha mãe sempre recomendava quando saíamos somente para passear, que não fôssemos descer a rua do hospital. Era longa, coberta por macadame e perigosa para nós, os pequenos.
Proibir algo é o mesmo que aguçar a nossa vontade. Imaginem a uma criança, então.
Querem um conselho? Nunca proíbam, expliquem o porquê.

Amanhã eu conto o resto.

Bjs no coração!



sexta-feira, 23 de julho de 2010

Meu pessegueiro!

Há dias em nossas vidas que achamos que o caminho acabou e que os atalhos se fecharam. Nestes dias, tento lembrar a minha infância.

Não estou aqui para reclamar, muito menos para me sentir a pior criatura do mundo. Primeiro, porque não sou. Segundo, porque sou uma pessoa abençoada por tudo o que tenho e terceiro, porque ninguém é melhor ou pior que ninguém.
Estou mais para o choro mesmo.

Chove muito, marido viajou, exames a fazer, ou melhor, refazer, e não consigo responder os comentários do meu blog: “obrigada, meus queridos”. Tenho preferido visitá-los e deixar meus comentários por lá mesmo.

Acho que isso se chama solidão, mesmo no meio da confusão.
Com um monte de gente lá fora, carros, conversas que ouço daqui, a TV ligada, as meninas falando comigo o tempo todo, e eu voando.
E neste vôo, lembrei do “meu pessegueiro”.
Neste post aqui, prometi que ia começar por ele a história da minha infância, pois ele me foi muito importante.
Mas, na verdade, ele fez mais parte da minha pré-adolescência.
Aquela fase em que vivemos nos perguntando:
- Quem sou eu?
- O que faço aqui?
- Será que sou adotada?
- Por que minha mãe não é a mãe da minha melhor amiga?
- Por que aquele garoto estúpido não olha para mim? Afinal já tenho 10 anos...
- Deus existe?
- Afinal, estou pecando?
- Por que eu sou tão feia?
- Por que estou demorando tanto a ter seios?
São tantas as perguntas...

Você nunca passou por isso? Nunca se fez nenhuma dessas perguntas?
Eu fiz estas e muitas outras. Algumas nem tenho coragem de confessar.
E quase todas elas nos primeiros galhos mais grossos do meu pessegueiro. Era para ele que eu contava todos os meus segredos, todos os meus prováveis pecados.
Reclamava, chorava e ele me escutava. Calado, frondoso, fiel!
Sabiam que ele 'me' dava um fruto especial todo ano?
Sim, tinha lugar certo. No primeiro galho à sua esquerda. Começava com o início de um botão.Tímido...
Num lugar onde só dava uma flor.

Só a minha!

Na época da florada, lá ia eu ver se ela estava lá. A maior, a mais bela de todas as flores.

E depois o mais belo dos frutos, o mais lindo pêssego, que eu cuidava com todo carinho, até amadurecer. Por vezes, eu cuidava tanto, esperava tanto, que os pássaros, mais ágeis, o bicavam antes que eu o retirasse para saboreá-lo.

Que sabor!!! Sabor de infância!

Sabor de um tempo muito bom. Felicidade de criança sem compromisso. Felicidade de uma menina magricela, que era feliz e não sabia.

Ele não existe mais. Minha casa não existe mais. Minha cidade não existe mais. Destruíram tudo. Acabaram com minha infância, com minha adolescência, com minhas ruas, minhas primeiras descobertas.

Meus amigos se espalharam pelo mundo. Uns se foram para outro plano. Outros ainda mantenho contato.
Mas, daquele nosso mundo, nada restou. Agora é só lembrança.

Que saudades de você “meu pessegueiro”, meu amigo, meu confessor!
Nilce Gibson
Bjs no coração!

sábado, 3 de abril de 2010

Páscoa, Cristo, Renascimento, ovos de chocolate, minha infância!




Como bons cristãos católicos, a Semana Santa sempre representou Renovação, Penitência e para nós crianças chocolate, é claro.

Minha mãe sempre muito religiosa, “carregava-nos” para a Igreja e mesmo em casa tivemos bons exemplos de religiosidade, caridade e bons caminhos.

Nem todos nós íamos por livre e espontânea vontade, mas a base foi dada.

É interessante, como só compreendemos o comportamento e o amor de nossos pais quando passamos a criar nossos próprios filhos.

Parece que tudo que eles querem para nós e nos proibir isso, não deixar aquilo, isso é errado, só aquilo é o certo.

Ah, como queremos que a mãe de uma amiga fosse a nossa. A outra mãe e o outro pai sempre são os melhores. Ainda bem que descobri em tempo que eu sempre tive a melhor família do mundo!

Bom, voltemos ao assunto!

Durante toda a quaresma, fazíamos penitências, orações em grupo e toda sexta-feira tinha via-sacra. Para quem é católico sabe do que estou falando.

Fazíamos jejum, menos os pequenos (menores de 7 anos), e não comíamos carne nas quartas e sextas.






















Eu, na frente da Igreja N. S. do Perpétuo Socorro,
na cidade em que nasci e passei toda minha infância
e adolescência.

Durante a Semana Santa a programação na Igreja era diária. E a Sexta-Feira Santa, dia da Paixão de Cristo era jejum, silêncio e orações.

Não sei por que, quer dizer... eu adorava esse dia.

Era proibido brigar ou gritar lá em casa. Não se ligava rádio, muito menos televisão.

Quantas vezes esqueci e comecei a entoar uma musiquinha que não fosse hino e minha mãe me mandou ficar quieta.

Se algum de nós resolvesse tentar discutir com um dos irmãos a ameaça era certa: “não esqueçam que amanhã é ‘sábado de aleluia’ e vocês vão ver a vara de marmelo correr solta”.

Então, nos transformávamos em anjos. Por um dia, mas “anjos”.

E também estávamos mais interessados em saber o que íamos ganhar no domingo pela manhã, antes de irmos para a Missa de Páscoa.

Durante a semana já tínhamos feito nossas cestinhas de papelão todas enfeitadas com papel colorido e picotado, ou mesmo os coelhinhos-cesta, muito bem elaborados, com algodão colado tentando imitar o pelo do coelho (animal).

Meu pai nunca nos deixou sem chocolates e doces na Páscoa e continuou assim até depois que eu casei, acreditam?

Deixávamos nossas cestinhas ao lado da cama, o que sempre dificultava a entrada do “coelho”.

Quando bem pequenos o sono era mais pesado, mas com o tempo a vigília era constante. Só que cansávamos e acabávamos dormindo sem vê-lo trazer as guloseimas.
















Esta foto tem muita representação para minha infância.
Exposição de Páscoa do Clube Thalia, em Curitiba, anos 60.
Meu pai que tirou a foto, mas como foi no meu batizado,
então não cheguei a ver este lindo coelho,
muito menos esse "OVÃO", a não ser por esta foto.
Mas nossos coelhos feitos de cartolina eram como esse,
só que pequenos é claro.

Meus irmãos mais velhos, terríveis como sempre, foram os culpados por uma grande decepção na minha vida, quando me chamaram para ver no fundo do guarda-roupa de meus pais, aquele grande pacote com todas as guloseimas.

Lembro que fiquei muito triste, mas nunca comentei com ninguém. Odiei saber aquilo. Como era saborosa a ilusão!

Não tínhamos grandes ovos de chocolate como hoje em dia, eram coelhinhos, bombons, balas, pirulitos e até chicletes, que minha mãe detestava que comêssemos.

Na Páscoa podia. Ah, que felicidade e inocência infantil.

O que era colocado em nossas cestas estava ótimo, era bom demais.

É claro que íamos para a rua para compararmos com as de nossos amigos. Mas nunca tinha reclamação. Ninguém exigia, ninguém brigava porque o amigo ganhou mais ou melhor.

Fico admirada de como as crianças de hoje são exigentes. Já escolhem com antecedência o que querem e “socorro” se não ganharem.

São pais enfrentando filas, sofrendo em shoppings lotados, porque a variedade é grande.

E qual não é o pai que adora ver aquele sorrisinho de felicidade no rosto de seus filhos quando a vontade deles prevalece.

Na verdade somos os culpados, e não só a mídia, pelo consumismo exagerado e pela verdadeira “crueldade” que nossas crianças fazem com seus progenitores.

Isso sem contar os avós. Essa é a melhor parte. Que saudades dos meus!

Na catequese, desde muito cedo, aprendíamos o significado da relação ovo x coelho x páscoa x Jesus x renascimento.

Demoramos muito a entender, na verdade, eu só entendi muitos anos depois, mas sabia da importância da data com relação à morte e renascimento de Cristo e isto era o bastante para minha mãe e para nossos professores.

E nosso almoço de Páscoa então, que delícia. Só não se iguala ao do Natal.

Família reunida, comida farta e por muitas vezes e em muitas famílias, acontece como a outra data.

Esquecemos o principal, o verdadeiro motivo da festa.


Feliz Páscoa para todos!


Bjs no coração!


Nilce

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Primeiro de abril – “Dia da Mentira”



Quando alguém me perguntou que dia é hoje, soltei uma risada lembrando uma de minhas travessuras de infância.

Ainda não comentei aqui, mas eu fui de tudo um pouco quando criança.

Tímida, feia, magricela, estudiosa, isolada, complexada, me achava pobre e principalmente fui terrível.

Gostava mais de brincadeiras masculinas, tipo carrinho de rolimã, patinete que meus irmãos construíam, do que de casinha ou bonecas.

Na verdade só tive duas e um era boneco: Roberto, adorava este nome.

Também, imaginem filha mulher única, com três irmãos, sou a terceira, e com diferenças de idade de 18 meses cada.

Na verdade formávamos uma escadinha de temerosos.

Não que fôssemos mal educados. Meus pais sempre prezaram muito pela boa educação e principalmente pelo respeito às pessoas, independente de classe social e principalmente aos mais velhos.

Mas isso é assunto para outro post.

Na verdade o que me fez rir hoje pela manhã foi a lembrança de uma de minhas traquinagens.

Idéia era o que não me faltava.

No meu tempo de infância, foto colorida era só de binóculo.

Não binóculo para olhar estrelas, apesar de que, de vez em quando eu enxergava algumas dentro daquele pedacinho de plástico em formato de cone retangular com lente de aumento.

Para quem não é do meu tempo vou postar uma foto e tentar explicar.

















Dentro disso, nesta parte branca ficava um micro filme, hoje se chamaria de slide, que ao olharmos pelo lado menor que continha uma lente, via-se uma foto bem bonita, se a pessoa fotografada fosse bonita, claro.

Naquela época, ai que saudades, essa data, “dia da mentira”, era muito divertida.

Não sei como, mas mesmo sabendo, caíamos em brincadeiras mentirosas.

Num dos primeiros de abril da minha infância, tive a brilhante idéia de escrever num pequeno papel:


“Primeiro de Abril”


Desmontei um dos binóculos da minha mãe e com muito cuidado coloquei o papelzinho no lugar do filminho que ficava lá.

Coloquei no bolso do guarda-pó, nosso uniforme, e lá fui eu para a escola. Eu devia ter uns 8 ou 9 anos.

Como era muito comum termos fotos em binóculos, quando alguém aparecia com algum, todos queriam ver.

Imaginem então quando, durante a aula, resolvi dar (de propósito, claro) uma olhada no meu. Agucei a curiosidade dos colegas.

Não lembro quem foi o primeiro que viu, mas lembro quem foi o último e muito bem.

O primeiro olhou, fez uma cara estranha, mas logo entrou na brincadeira e disse: “que bonitinho”.

Ninguém contava do que se tratava, mas todos queriam ver e viam.

Para minha infelicidade, quando chegou a quase todos os alunos da sala, não agüentei e comecei a rir.

A professora queria saber o porquê e fui descoberta.

Resultado: fui parar na secretaria.

Mas nada que a diretora não achasse graça também e ainda fui parabenizada pela criatividade.

Só que mesmo assim tive que levar a “maldita cartinha” de advertência para casa o que me ajudou a levar mais uma surra de vara de marmelo da minha mãe pela traquinagem.

Nada que já não fosse bem acostumada.

Feliz “Dia da Mentira” a todos!
Bjs no coração!


Nilce

quinta-feira, 11 de março de 2010

Grande expectativa.........



Estou aqui há duas semanas. As férias estão acabando...

Este aqui, na verdade, é meu cantinho número 1, a cidade do meu marido. Foi aqui que ele nasceu, cresceu, saiu, voltou, sai para viver fora por conta do trabalho, mas é aqui que sonha viver sempre.

É sua terra natal e dou razão para ele por amá-la tanto. Também gosto daqui.

Foi aqui que o conheci, aqui que juntos resolvemos começar uma vida tirando tudo do nada que nos restou das nossas antigas relações (fora os filhos, é claro, bem maior que tudo nesta vida).

Tem quase todos os amigos de infância, parentes, pais, irmãos e os que saíram por conta de estudo ou trabalho estão sempre por aqui.

Eu sempre digo que ele tem passado e o meu foi apagado!
















vista aérea da cidade de Castro - Pr

Quando me refiro a passado, falo de lugar, cidade, casa...

Os pais dele, acreditem, moram na mesma casa em que ele nasceu. Pouca coisa mudou e a chamada “fachada”, nunca.

Meu sogro tem um capricho imenso por ela. Sempre cuidando, pintando e é a original de tantos e tantos anos.

Alguma coisa por dentro só que mudou, mas é quase nada, só alguns móveis.

Tenho uma inveja muito boa de quem ainda pode tirar fotos ou visitar a casa em que nasceu, mesmo que já tenho sido vendida e não esteja mais com a família.

Mas a do meu marido ainda está, e os pais dele continuam lá sempre esperando os filhos antes do almoço para o chimarrão e aos domingos quando todos que moram por aqui se reúnem com os pais.

A casa em que nasci não existe mais!

A cidade não existe mais!

Pelo menos não como era quando nasci, onde passei minha infância e adolescência. Na época não entendia que era uma cidade de “passagem” apenas.

Quando meu pai se aposentou e fui embora não imaginei que tudo seria destruído tão rápido, que um dia acabaria. Se pensasse nisso, teria tirado mil fotos e poderia postar agora e matar as saudades.

Já comecei a falar desse meu paraíso num post, mas as melhores passagens são tantas...

Aos poucos vou escrevendo se a memória não me trair. Na verdade o lugar ainda está lá e bem mais bonito, não há mais operários, ficaram apenas os moradores de alto padrão, digamos assim.

E hoje vou para lá.

É essa minha expectativa!

Sei que não vou encontrar mais nada e isso está me dando um certo medo porque eu sei que além de chorar, vou querer procurar o lugar onde um dia foi “minha casa”, vou lembrar, vou sonhar com tudo o que vivi lá e também sei que nada vai estar mais no mesmo lugar.

Bom, eu tenho que ir! Depois eu conto como foi tudo!


Bjs no coração!

Nilce