Minha infância, minha vida, meus amores e dores; minhas idéias e meus ideais; idéias alheias, conversação entre sorrisos e lágrimas, tudo contado de uma maneira gostosa e com uma pitada de bom humor por uma pessoa FELIZ!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Manhã, tarde e noite, sem parar e sem reclamar!



Antes que eu inicie os posts sobre a maratona dos meus tratamentos, é muito importante que todos saibam como eram os meus dias antes de tudo acontecer.



















Sou graduada em Língua Portuguesa e tenho Especialização em Literatura Brasileira. Então, meu destino foi Escola Estadual em primeiro lugar.

É sempre assim quando se faz um curso de Licenciatura e há a necessidade e o gosto pelo que se faz. Primeiro, um concurso público. Garantia e estabilidade de emprego. Não que não tenha trabalhado em particulares também. Até cursinho pré vestibular, acreditem.
 Escola que meu avô lecionava. Detalhe, lado esquerdo: escola, lado direito: casa do professor 

Meu avô paterno, que era britânico, nascido em Londres, veio para o Brasil já Graduado em Educação, e é claro, era professor. Ele sempre teve a esperança de que eu o seguisse, porque os outros netos, nem pensar. Pelo menos enquanto ele durou, falava muito na certeza que tinha.

Ah.. vô, podia ter previsto que os professores continuariam a ter o valor que o senhor tinha.  

Não chegou a me ver formada, muito menos trabalhando, mas segui o mesmo rumo. Comecei com Ensino Fundamental. Trabalhei pela Prefeitura de uma das cidadezinhas que morei, durante cinco anos, somente com segunda série. Quase todos com 8 aninhos. Uma graça. Adorava meus aluninhos e os tenho no coração até hoje. Uns no orkut, hehe, depois de tanto tempo... Guardo muitas lembranças dessa época.

Quando mudei de cidade fui trabalhar com adultos, já da segunda fase do Ensino Fundamental e de Médio. Trabalhar com pequenos e com adultos é muito gratificante, principalmente nos dias de hoje. Eles são maravilhosos e estão ali porque gostam e porque querem. Já estou fugindo do assunto, outro dia eu comento sobre isso, prometo.

Quando do meu acidente, eu tinha aulas em 4 colégios diferentes, e além de tudo em lugares distantes. Meus alunos então, eram quase só adolescentes. Era levantar 6h da manhã e passar o dia correndo de uma escola para a outra, até 11h da noite.

Isso sem contar que nos pequenos intervalos, preparava aulas e material didático, que não era pouco. Isso sem falar dos textos: dá pra imaginar quantos eram por dia? Nem tentem. Eram muitos, mais muitos mesmo.


 
Sempre gostei que os textos de redação fossem feitos em folhas avulsas, nas quais eu fazia a correção, orientava e só ia para os cadernos depois de prontinhas para que os alunos não ficassem com seus cadernos cheios de riscos e rabiscos de professor. Eles chamavam de “passar a limpo” suas redações.

Nunca impus idéias, gostava que elas brotassem como plantas de suas cabecinhas.

Ah, quase ia me esquecendo de um detalhe muito especial. Tudo num verdadeiro sufoco, mas tinha muitas outras coisas que sempre adorei cuidar pessoalmente: casa, filhos, animais e de mim mesma. Roupa, cabelo e um batonzinho básico perfeitos! Nunca desci do salto, literalmente!
Enfim, eram assim meus dias.

Sempre amei o que fazia e com gosto trabalhava nesta correria, sem reclamar. Lembro que naquele tempo tinha muito sono atrasado, por conta dos horários. Se me encostasse a algo, dormia.

Nossa que saudades!

Acho que só quem já passou por isso pode saber do que estou falando.

Sempre fui muito dinâmica, gostava muito dessa correria em minha vida e ainda arrumava tempo para me divertir e passear. E mesmo depois do tombo, tentei de tudo para voltar pelo menos a trabalhar. Um pouco que fosse, infelizmente não deu.

Tive que parar de uma hora para outra com tudo. Minha vida continuou uma correria, só que atrás de especialistas que pudessem resolver o meu problema.

Por muitas vezes, sinto-me uma pessoa inútil, só incomodo os meus.

Dor, isso é constante, 24 h por dia. Só que suportáveis. Abuso um pouco com o que causa muita dor, ou elas aparecem do nada e isso atrapalha os planos de quem convive comigo. Sinto-me culpada por tudo.

Mas, eles são o máximo, e logo passa. Sempre me incentivando, motivando e levantando minha auto estima. São minha vida. Sem contar com os poucos, mais excelentes amigos que ficaram.

Sou muito feliz! Isso é o mais importante. Tenham certeza disso.

Não me digam que tem algum médico que vocês conheçam e que vai resolver milagrosamente o meu problema, porque desses, já desisti. Fiquei só com os que não me abandonaram nestes oito anos e com

Deus que é o nosso melhor médico. Na verdade é meu predileto!


Bjs no coração!


Nilce

3 comentários:

Elaine disse...

Nilce,
Há dias tento arranjar um tempo para falar com você mas cadê tempo???
Em primeiro lugar quero agradecer demais suas visitas, seus comentários gentis e carinhosos; quero também te parabenizar pelo seu blog tão corajoso e pessoal.
Vi que é professora, e ainda por cima especializada em Literatura! Ai que medinho de escrever errado rsrsrs
Vi também que está em tratamento por causa de uma queda. Espero que encontre a cura definitiva e que até lá siga sendo feliz como me parece que é...
Enfim, seja muito benvinda sempre ao Um pouco de mim.
Beijos e boa noite.

Iram M. disse...

É, amiga.

De fato você tem uma história parecida com a da minha mana. Sempre lutando e feliz com o que faz.
Eu posso imaginar como deve ter sido difícil pra vc ter que parar com seu trabalho, ainda mais por causa de uma coisa que não estava em seu alcance.
Enfim, lindinha. Pena que eu não sei de nenhum médico milagroso. Só Deus, mas esse já esta com você.

Te cuida!

Beijo
Iram

Kelly disse...

Puxa cada dia descubro mais afinidades também sou professora, trabalhando há 3 anos como coordenadora pedagógica na primeira fase do ensino fundamental.
Mas fiquei envergonhada em ver tanto entusiasmo de sua parte, eu já não consigo mais me animar tanto com a educação, a política atrapalha cada vez mais e mantém a educação cada vez mais longe do real propósito, isso me deixa triste, já penso em deixar a educação, coisa que nunca havia passado pela minha cabeça.
Grande beijo, to ansiosa pra ler a continuação da sua história